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n. 18 (2026): Foucault entre os trágicos: leituras foucaultianas da tragédia grega
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Foucault entre os trágicos: leituras foucaultianas da tragédia grega, de Luciano Heidrich Bisol, investiga as intersecções entre a hermenêutica de Michel Foucault e a tragédia grega clássica. A obra encara o teatro ateniense como um dinâmico laboratório estético, onde se problematizam profundamente as relações de poder, a verdade, a sexualidade e a constituição da subjetividade ocidental. Estruturado em três ensaios, o volume começa por analisar a peça “Agamémnon”, de Ésquilo, demonstrando como a sexualidade opera enquanto dispositivo central de dominação e como o corpo feminino inscreve as mais diversas tensões políticas e cénicas. De seguida, o texto explora “Édipo em Colono”, de Sófocles, enfatizando a emergência do “cuidado de si” e a forma como o percurso de purificação do herói trágico antecipa a estética da existência foucaultiana. Por último, aborda-se o conceito de parresía — a coragem do dizer verdadeiro — em obras de Eurípides, como “Andrômaca” e “Íon”. O autor evidencia como este discurso emancipatório confere agência a sujeitos marginalizados, revelando as fissuras do sistema democrático ateniense. Deste modo, conclui-se que o palco grego constituiu o espaço inaugural onde o Ocidente ensaiou as suas complexas formas de subjetivação

Publicado: 20/05/2026
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