Orientalismo? A experiência japonesa em Barthes: as dimensões da estética, do silêncio e do estranho

Autores

  • Cacio José Ferreira Universidade de Brasília
  • Luciana Barreto Machado Rezende Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.235

Palavras-chave:

Literatura, Roland Barthes, O império dos signos, Silêncio, Alteridade

Resumo

Neste ensaio analisaremos a experiência japonesa na obra O império dos signos, de Roland Barthes, compreendendo-a como gesto estético e teórico de deslocamento dos regimes ocidentais de significação. Partindo da recusa barthesiana da descrição etnográfica e da explicação cultural, o texto evidencia como o Japão é assumido como constructo ficcional e dispositivo crítico, por meio dos quais entrelaçam-se categorias centrais do pensamento ocidental, tais como interioridade, profundidade, representação e sentido pleno. O texto dialoga com a crítica do orientalismo formulada por Edward Said, situando Barthes em uma zona ambígua entre ruptura e continuidade, na medida em que a sua escrita refuga a domesticação epistemológica do Outro, mas permanece timbrada pelo ponto de vista ocidental. A análise privilegia categorias como silêncio, vazio, fragmento, superfície e intervalo (ma), articuladas a práticas estéticas, como o haicai, o bunraku, a caligrafia e a materialidade da escrita. Em diálogo com Eric Marty e Shuichi Kato, este ensaio sustenta que a experiência japonesa em Barthes opera como exercício de estranhamento produtivo e desaprendizagem, propondo uma ética da leitura fundada na suspensão do sentido e na abertura ao estranho como forma de crítica ao logocentrismo ocidental.

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Biografia do Autor

Cacio José Ferreira, Universidade de Brasília

Doutor em Literatura. Professor da Universidade de Brasília (UnB).

Luciana Barreto Machado Rezende, Universidade de Brasília

Doutora em Literatura. Professora da Universidade de Brasília (UnB).
 

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Publicado

06/02/2026

Como Citar

Ferreira, C. J., & Rezende, L. B. M. (2026). Orientalismo? A experiência japonesa em Barthes: as dimensões da estética, do silêncio e do estranho. Desleituras, 15(15), 136–153. https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.235