Narrar o que não se diz: infância, trauma e silêncio na literatura infantil latino-americana contemporânea
DOI:
https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.232Palavras-chave:
Literatura infantil e juvenil, Narratividade do trauma, Silêncio, Resistência simbólicaResumo
Este texto se aproxima de Os afogados (Andruetto; Rabanal, 2021) e A mulher da guarda (Bertrand; Acosta, 2019), narrativas ilustradas do Selo Emília, para escutar como o silêncio e a suspensão de sentido operam na literatura infantil e juvenil latino-americana. Nessas obras, experiências de trauma, perda e violência histórica não se oferecem à transparência do relato, mas retornam como fragmentos e lacunas que convocam o leitor à escuta do não-dito. Em diálogo com reflexões de María Teresa Andruetto (2020), Cecilia Bajour (2020) e com a noção de narratividade do trauma formulada por Anderson da Mata (2006), a leitura compreende o silêncio como procedimento ético e estético que preserva o resto da experiência traumática. Articulada às Epistemologias do Sul, essa perspectiva lê tais narrativas como gestos de resistência e afirma a literatura infantil e juvenil como espaço crítico de memória, imaginação e reinvenção do humano.
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