Quando amar desorganiza o mundo: afeto, excesso e espera em Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.229Palavras-chave:
Literatura, Clarice Lispector, Felicidade clandestina, Laços de família, ContosResumo
Este estudo analisa o afeto como acontecimento na obra de Clarice Lispector, a partir dos contos “Amor” e “O búfalo”, de Laços de família (1995), e “Felicidade clandestina”, do livro homônimo (1998). Parte-se da hipótese de que, nessas narrativas, o afeto não se reduz a conteúdo psicológico ou valor moral, mas opera como força desorganizadora que expõe o sujeito ao risco de existir para além das defesas simbólicas. Em diálogo com Heidegger, Merleau-Ponty, Levinas, Bataille, Barthes e Benedito Nunes, o artigo investiga diferentes destinações do excesso afetivo — contenção, dissipação e espera —, mostrando como Clarice inscreve o amor no campo da vulnerabilidade, da temporalidade e da crise do sentido. Argumenta-se que a literatura clariceana constitui uma mediação crítica entre excesso, fragilidade humana e ética da experiência.
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