Quando amar desorganiza o mundo: afeto, excesso e espera em Clarice Lispector

Autores

  • Andréa Pereira Cerqueira Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.229

Palavras-chave:

Literatura, Clarice Lispector, Felicidade clandestina, Laços de família, Contos

Resumo

 Este estudo analisa o afeto como acontecimento na obra de Clarice Lispector, a partir dos contos “Amor” e “O búfalo”, de Laços de família (1995), e “Felicidade clandestina”, do livro homônimo (1998). Parte-se da hipótese de que, nessas narrativas, o afeto não se reduz a conteúdo psicológico ou valor moral, mas opera como força desorganizadora que expõe o sujeito ao risco de existir para além das defesas simbólicas. Em diálogo com Heidegger, Merleau-Ponty, Levinas, Bataille, Barthes e Benedito Nunes, o artigo investiga diferentes destinações do excesso afetivo — contenção, dissipação e espera —, mostrando como Clarice inscreve o amor no campo da vulnerabilidade, da temporalidade e da crise do sentido. Argumenta-se que a literatura clariceana constitui uma mediação crítica entre excesso, fragilidade humana e ética da experiência. 

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Biografia do Autor

Andréa Pereira Cerqueira, Universidade de Brasília

Mestranda em Literatura (Universidade de Brasília. Especialista em Literatura Contemporânea Brasileira e Literatura em Língua Inglesa.

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Publicado

06/02/2026

Como Citar

Cerqueira, A. P. (2026). Quando amar desorganiza o mundo: afeto, excesso e espera em Clarice Lispector. Desleituras, 15(15), 33–54. https://doi.org/10.56372/desleituras.v15i15.229