A dominação do feminino, o falso despertar e o descarte da vida em “uma galinha”, de Clarice Lispector
DOI:
https://doi.org/10.56372/desleituras.v25i25.228Palavras-chave:
Literatura, Clarice Lispector, Red pill, AlteridadeResumo
Neste estudo examinamos a retórica red pill como expressão contemporânea de uma racionalidade instrumental que converte o outro, sobretudo a mulher, em objeto de avaliação, consumo e descarte. Tomando como corpus central o conto “Uma galinha”, de Clarice Lispector, a análise demonstra como a narrativa constrói, em chave alegórica, um regime de valoração no qual o corpo é capturado, a vida é reconhecida apenas quando se torna útil, o afeto é condicionado ao desempenho e a maternidade opera como salvo-conduto provisório. Articulando o texto literário a aportes teóricos de Simone de Beauvoir, Michel Foucault, Judith Butler, Silvia Federici, Zygmunt Bauman, Roland Barthes e Byung-Chul Han, o estudo evidencia que a promessa de “despertar” associada ao discurso red pill pode funcionar como forma de cegueira ética. O conto revela, assim, uma violência normalizada que não se impõe por exceção, mas se naturaliza como funcionamento ordinário das relações.
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