LITERATURA E PINTURA EM CLARICE LISPECTOR
DOI:
https://doi.org/10.56372/desleituras.v13i13.200Palavras-chave:
Literatura, Crítica Literária, Clarice Lispector, Pintura, Água Viva, Um sopro de vidaResumo
A prática narrativa de Clarice Lispector [1925-1977], essencialmente nos livros Água Viva (1973) e Um sopro de vida (1978) transforma a linguagem romanesca num expediente visual híbrido cujo princípio constitutivo é a técnica de colagem ou fragmentos de diferentes ordens discursivas e, que, ao se imbricarem, relativizam as diferenças entre texto literário e as outras artes. Considerando essas narrativas e as telas “Explosão”, “Luta sangrenta pela paz”, “Medo” e “Gruta” dessa perspectiva, buscam-se analisá-las enquanto exercícios que resultam em dupla ou múltipla grafia. Acompanham-se, interpretativamente, o ler e o ver, o gesto intertextual que, como operações de escrita ou “registros do ver”, promovem o comentário metalinguístico e a visualidade de suas próprias telas. Nas pinturas de Clarice Lispector a pincelada identifica-se com a escritura, gozam ambas do mesmo estatuto semiológico, as duas enquanto gestos, enquanto sinais, portanto. Procuraremos, nesse sentido, demonstrar que essas linguagens se complementam pelo silêncio, no jogo discursivo ou visual de um corpo que se escreve/inscreve e se pinta, ou mesmo no próprio instante de representar o irrepresentável ou em exprimir o inominável.
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